VÍDEO: Planta aquática forma ‘tapete marrom’ no Rio Araguari e mobiliza força-tarefa em MG

  • 02/09/2026
(Foto: Reprodução)
‘Tapete marrom' no Rio Araguari mobiliza força-tarefa em MG Uma grande quantidade de plantas aquáticas passou a cobrir trechos do Rio Araguari e dos reservatórios entre a Usina Hidrelétrica de Nova Ponte, Indianópolis e a Represa de Miranda, em Uberlândia. A massa vegetal, perecida com um tapete marrom, já se deslocou por uma extensão maior que 90 quilômetros. Assista ao vídeo acima. Diante da rápida proliferação, o Ministério Público realizou uma audiência nesta quarta-feira (2) com representantes das prefeituras de Indianópolis e Uberlândia. Participaram ainda órgãos ambientais e instituições envolvidas, para discutir medidas emergenciais de contenção e limpeza. Veja abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp "Essa massa vai trazer um problema muito sério para o tratamento da água", alertou o promotor, Breno Lintz. Abastecimento de água pode ser afetado O promotor de Justiça do Meio Ambiente, Breno Linhares Lintz, informou à TV Integração que as plantas foram detectadas pela primeira vez em Patrocínio, em agosto, e se aglomeraram desde então. Segundo o Ministério Público, a massa de plantas já está a aproximadamente 17 quilômetros da Usina de Capim Branco. A usina é responsável pelo abastecimento de 32% da cidade de Uberlândia, o que de acordo com o diretor geral do Dmae, Rodrigo Lacerda, significa aproximadamente 250 mil a 300 mil pessoas. Caso as plantas continue avançando, há preocupação com possíveis impactos sobre a captação, o abastecimento na região e o tratamento, porque a planta pode alterar drasticamente o gosto e o odor. Conforme o promotor, para solucionar o problema e combater a causa da proliferação, a coordenação segue estudando a médio prazo. No entanto, são necessárias medidas de contenção. A força-tarefa avalia buscar o apoio de uma empresa especializada que atuou em uma cidade de Goiás com problema semelhante, para realizar a limpeza imediata da área afetada. A estimativa inicial é de que sejam necessários cerca de R$ 350 mil para a ação na Represa de Miranda. “Nesta quinta-feira vamos procurar as empresas da região que podem ser afetadas, além dos órgãos públicos envolvidos, para definir de onde virá esse recurso e buscar uma solução para salvar a nossa região dessas macrófitas”, disse o promotor. 🔎Macrófitas são plantas aquáticas visíveis a olho nu que vivem total ou parcialmente submersas em ambientes de água doce ou salgada, como lagos, rios, represas, brejos e áreas alagadas. Embora sejam essenciais para o equilíbrio ambiental, seu crescimento excessivo pode causar problemas, como dificultar a navegação, reduzir a circulação da água e favorecer o acúmulo de matéria orgânica. Segundo o diretor geral do Dmae, Rodrigo Lacerda, o departamento também estuda medidas emergenciais para tentar impedir que as plantas cheguem à área de captação. “Estamos buscando mecanismos para criar uma barreira física, uma ação emergencial, para tentar conter essas macrófitas caso elas cheguem de forma mais rápida. A ideia é evitar que se forme uma barreira na nossa captação e conseguir removê-las. Mas isso é muito provisório”, disse. A Prefeitura de Uberlândia informou que a Secretaria Municipal de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e a Defesa Civil integram o grupo responsável pelo acompanhamento da situação. Também participam Ibama, Igam, Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari, Polícia Militar de Meio Ambiente e Prefeitura de Indianópolis. Segundo o município, o grupo mantém monitoramento contínuo e articulação com os operadores do reservatório, responsáveis pelo controle e manutenção da represa. O que é o ‘tapete marrom’? Planta aquática forma ‘tapete marrom’ por cerca de 90 km no Rio Araguari e mobiliza força-tarefa em MG Prefeitura de Nova Ponte/Reprodução Segundo o biólogo Jimi Naoki Nakajima, do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a planta é da espécie salvínia, conhecida popularmente como orelha-de-onça ou carrapatinho. Ela flutua sobre a água e tem alto potencial invasor. Em condições favoráveis, pode dobrar de tamanho em cerca de 36 horas e formar camadas conhecidas como 'tapetes verdes', que podem chegar a até 1 metro de espessura. Ainda segundo o biólogo, o problema ocorre quando a planta se acumula em grande quantidade e forma uma camada sobre a superfície da água. Essa cobertura reduz a entrada de luz, prejudica a fotossíntese de algas nativas e, durante a decomposição, pode diminuir o nível de oxigênio na água. Entre os possíveis impactos ambientais está a mortandade de peixes. Onde começou a proliferação? Conforme apuração da TV Integração junto às autoridades, as plantas foram identificadas por moradores pela primeira vez na região da Prainha, no reservatório de Nova Ponte, a cerca de 45 quilômetros de Indianópolis. No dia 6 de agosto, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Nova Ponte informou que acompanhava o problema, após moradores reclamarem que estava afetando o abastecimento de água. Na ocasião, o órgão afirmou que não havia risco para a água distribuída à população, porque o ponto de captação fica a cerca de 5 quilômetros da Prainha, em área diferente de onde as plantas estavam concentradas. Em 7 de agosto, a Cemig, companhia de energia, confirmou que estava ciente da presença da planta aquática no reservatório da Usina de Nova Ponte e informou que a situação estava sendo avaliada por uma equipe técnica. A empresa explicou que realiza um monitoramento específico para identificar como as plantas surgiram no local. Ainda conforme ressaltado na nota da Cemig, a proliferação pode ter várias causas, como excesso de nutrientes na água, temperatura, chuvas e características de uso da bacia. Por isso, a empresa informou que ainda não havia condições de apontar um único fator responsável pelo crescimento da vegetação. Já no dia 16 de agosto, houve abertura temporária das comportas da Usina de Nova Ponte. Segundo a Cemig, a operação atendeu a uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico para manter o fluxo de água no Rio Araguari durante uma pausa na geração da usina, em um domingo. Foi a partir da abertura das comportas, uma grande quantidade de plantas seguiu rio abaixo e chegou à Represa de Miranda, em Indianópolis. A empresa responsável pela Usina Hidrelétrica de Miranda confirmou que a massa vegetal observada no reservatório tem origem no reservatório de Nova Ponte. Veja nota na íntegra abaixo. A TV Integração conversou com um representante da Prefeitura de Nova Ponte, que informou que o abastecimento de água segue normal e que a infestação das plantas diminuiu bastante na cidade. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari também informou que acompanha a situação de perto e que vai tomar as providências cabíveis diante do crescimento das plantas nos reservatórios de Nova Ponte e Miranda. Confira a nota na íntegra abaixo. Em Indianópolis, a Secretaria de Meio Ambiente informou que cerca de quatro caminhões de plantas já foram retirados manualmente da região da balsa, área usada para turismo no município. A preocupação segue com a parte da vegetação que se espalhou por outros pontos da represa. *Estagiária sob supervisão de Adreana Oliveira Leia também: Jovem morre afogado na Represa de Miranda em Uberlândia Jovem de 19 anos morre afogado na Cachoeira de Sucupira Banhista é salvo ao se afogar e ficar 1 minuto submerso em cachoeira Planta aquática forma ‘tapete marrom’ por cerca de 90 km no Rio Araguari e mobiliza força-tarefa em MG Prefeitura de Nova Ponte/Reprodução Nota da UHE Miranda "A Usina Hidrelétrica Miranda informa que acompanha e monitora a ocorrência envolvendo o deslocamento de algas e macrófitas aquáticas na Bacia do Rio Araguari. A massa de macrófitas observada tem origem a montante, em ocorrência registrada anteriormente no reservatório da UHE Nova Ponte. A situação está sendo acompanhada em diálogo com os integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari (CBH Araguari), órgão que reúne representantes dos usuários da bacia e do poder público. Ressalta-se que a proliferação dessas plantas aquáticas não constitui uma característica típica do reservatório da UHE Miranda. Desde que a ENGIE assumiu a operação da usina, em 2018, esta é a primeira ocorrência dessa natureza registrada no empreendimento. A Companhia segue monitorando a evolução do cenário e adotará, se necessário, as medidas cabíveis em articulação com os órgãos competentes e demais partes envolvidas. Esclarecemos, ainda, que não foi identificada qualquer anormalidade na operação da usina ou na geração de energia elétrica. O empreendimento permanece operando normalmente, em conformidade com as diretrizes e os despachos estabelecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)." Nota do CBH Araguari "O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari (CBH Araguari), reafirmando o seu compromisso com a comunidade, informa que irá tomar todas as providências cabíveis diante do crescimento exponencial de macrófitas aquáticas registrado nos reservatórios de Nova Ponte e Miranda, localizados em nossa bacia. Sempre atento e vigilante a tudo o que acontece em nosso território, o Comitê já está acompanhando de perto a situação. À população, aos usuários de água, produtores rurais e empreendimentos locais: além de exercer nosso papel de articulação e cobrança junto aos órgãos competentes e concessionárias, o CBH Araguari também se compromete a atuar diretamente, de forma prática e efetiva, na solução do problema. Permanecemos à disposição de todos, dedicando nosso trabalho e empenho diário à proteção do nosso patrimônio hídrico". VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo Mineiro

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/09/02/video-planta-aquatica-forma-tapete-marrom-no-rio-araguari-e-mobiliza-forca-tarefa-em-mg.ghtml


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