Veja cronologia do atendimento médico de grávida que morreu pedindo para fazer cesárea em MG

  • 19/08/2026
(Foto: Reprodução)
naiara patrocínio grávida morre santa casa Reprodução/Redes Sociais O g1 teve acesso aos prontuários médicos da Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio, no Alto Paranaíba, que detalham as horas de atendimento de Nayara Oliveira Silva, de 26 anos. Grávida de oito meses, ela chegou ao hospital com dores e mal-estar na terça-feira (11) e morreu na madrugada de quarta-feira (12), após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Veja a linha do tempo abaixo. A mãe de Nayara, Cleusa Oliveira, contou que a filha pediu atendimento e uma cesárea antes de morrer em seus braços no hospital. A família afirma que houve negligência. “Minha filha não tinha um momento de paz. Ela andava de um lado para o outro, estava muito inquieta e dizia que iria morrer, que a dor era demais. Eu fazia massagem nela e pedia para ela ter calma”, afirmou Cleusa. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp O caso foi registrado pela Polícia Militar (PM) depois que o companheiro de Nayara, Ronaldo Morais de Souza, procurou a corporação. Agora no g1 Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio afirmou que realiza uma apuração interna sobre o caso, com a participação das áreas responsáveis, para esclarecer os fatos e as circunstâncias relacionadas ao atendimento. Já a Prefeitura de Patrocínio informou que, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, acompanha o caso e presta o suporte necessário dentro de suas atribuições. Os posicionamentos podem ser lidos na íntegra ao fim da reportagem. O g1 optou por não divulgar os nomes dos profissionais que constam no prontuário, porque o caso ainda seguia em investigação pela Polícia Civil sem o indiciamento de qualquer pessoa até a última atualização dessa reportagem. Linha do tempo de Nayara na Santa Casa 11/08/2026 — Atendimento inicial no Pronto Atendimento (PA) e internação 13h42: A paciente compareceu ao Pronto Atendimento acompanhada, com queixas de dores no corpo, mal-estar, náuseas, dor de garganta e dor moderada na parte inferior da barriga. Negou falta de ar, sangramento ou perda de líquido pela vagina e diarreia. Relatou que o bebê estava se movimentando normalmente. 14h19: A paciente passou por avaliação médica. Foram prescritos medicamentos pela veia, solicitados exames de sangue e urina e determinada uma nova avaliação após os resultados. 14h53: A paciente foi acomodada em uma poltrona para receber a medicação. Foi colocado um acesso na veia do braço direito, na segunda tentativa. Foram coletadas amostras de sangue e urina. Ela recebeu Complexo B e dipirona, conforme a prescrição. Também informou que não tinha alergia a medicamentos. 17h30: A paciente foi encaminhada para uma nova avaliação com a equipe de ginecologia e obstetrícia. 18h: Durante a troca de plantão, a paciente estava consciente, respirava normalmente, não tinha febre, falava e caminhava sem ajuda. Estava acompanhada e aguardava os resultados dos exames, com o acesso venoso mantido. Consta no prontuário que, após a avaliação dos exames, a equipe médica indicou a internação de Nayara, pois havia alterações nos resultados. Naquele momento, porém, a paciente pediu para ir em casa e foi liberada. A informação foi confirmada pela mãe da jovem. Não foi assinado termo de responsabilidade, pois não houve solicitação formal de alta. O acesso venoso foi retirado na presença de um familiar. 20h30: A paciente retornou ao hospital para realizar a internação. 21h: Ela deu entrada no setor de internação. 21h20: Foi colocado um novo acesso venoso no braço direito, na primeira tentativa, e a paciente recebeu as medicações prescritas. 21h40: A paciente foi encaminhada para realizar cardiotocografia, exame utilizado para acompanhar os batimentos cardíacos e as condições do bebê. 22h20: Foi realizada nova coleta de sangue, encaminhada ao laboratório. 23h50: A paciente foi encaminhada pela equipe de enfermagem para o setor de maternidade. 12/08/2026 — Madrugada e piora do quadro clínico 00h20: A paciente foi recebida no setor de maternidade, vinda do Pronto Atendimento. Estava consciente, orientada, caminhando, respirando normalmente e com acesso venoso no braço direito. Estava acompanhada pela mãe. 00h42: Uma amostra de urina foi encaminhada ao laboratório. Entre 00h30 e 1h: A paciente recebeu as medicações prescritas. Os sinais vitais foram verificados e registraram pressão arterial de 100/70 mmHg, pulso de 109 batimentos por minuto, temperatura de 36 °C e saturação de oxigênio de 99%. 1h50: A paciente e a acompanhante foram até o balcão da enfermagem e relataram que ela estava muito ansiosa. A equipe orientou a paciente e administrou medicação para ansiedade, conforme prescrição. Em seguida, ela retornou ao leito. 2h: A acompanhante perguntou sobre a possibilidade de alta. A equipe explicou que seria necessário aguardar os resultados dos exames. 3h: A paciente recebeu a medicação prevista na prescrição. 5h: A mãe da paciente pediu o cartão de identificação porque queria deixar o hospital com a filha. A equipe de enfermagem comunicou a situação à equipe médica, que informou que a alta não poderia ser concedida naquele momento. Enquanto atendia outro recém-nascido, uma profissional de enfermagem foi informada de que a paciente havia caído no corredor e gritava de dor. 5h10: Ao tentarem colocar a paciente novamente no leito, ela vomitou e, logo depois, desmaiou e apresentou redução do nível de consciência. O prontuário narra que a equipe de enfermagem acionou imediatamente a equipe médica e a enfermeira responsável pelo atendimento. A médica chegou ao leito e encontrou a paciente deitada em uma maca, sem responder aos chamados, sem pulso e com as pupilas dilatadas. Havia secreção espumosa na região do nariz e da boca. Foram iniciadas imediatamente as manobras de ressuscitação cardiopulmonar. A equipe solicitou a presença de um médico intensivista. Também foi feita a avaliação dos batimentos cardíacos do bebê, mas eles não foram identificados. 5h15: A equipe da UTI foi acionada e um médico intensivista chegou ao local. Segundo o prontuário, o médico encontrou a paciente inconsciente, sem pulso, com as pupilas dilatadas, extremidades frias e lábios arroxeados, enquanto as manobras de reanimação eram realizadas. Foi identificado um ritmo cardíaco chamado atividade elétrica sem pulso (AESP). A paciente foi intubada. Durante o procedimento, foi encontrada grande quantidade de líquido com sangue e restos de alimentos na região da garganta, sendo necessária a aspiração das vias aéreas. As manobras de suporte avançado de vida foram mantidas. Entre 5h20 e 5h41: Foram aplicadas oito doses de adrenalina pela veia, nos horários de 5h20, 5h23, 5h26, 5h29, 5h32, 5h35, 5h38 e 5h41. Durante as manobras, o ritmo cardíaco passou de atividade elétrica sem pulso para assistolia, situação em que não havia atividade elétrica cardíaca efetiva e não havia indicação de choque. 5h50: Após 35 minutos de manobras contínuas, sem retorno da circulação sanguínea espontânea e diante da persistência da assistolia, que é a ausência completa de atividade elétrica e mecânica do coração, a equipe encerrou a reanimação. 5h51: O óbito foi declarado pela equipe médica. 12/08/2026 — Pós-óbito e acolhimento da família 6h30: A equipe médica comunicou oficialmente o óbito aos familiares. Após a confirmação da morte, a equipe médica acolheu a mãe da paciente e explicou que ela havia sofrido uma parada cardiorrespiratória que não respondeu às tentativas de reanimação. Também foi solicitado o apoio das equipes de Psicologia e Assistência Social para auxiliar os familiares. A família foi orientada sobre a importância da realização de autópsia pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para investigar e confirmar a causa da morte. 6h40: Os objetos pessoais e adornos da paciente foram entregues ao marido. Versão da família Segundo Cleusa, Nayara procurou o hospital pela primeira vez no domingo (9), com mal-estar, febre, dor de cabeça e dor de garganta. Conforme o registro da ocorrência policial, a jovem recebeu medicação e passou por exames de sangue, cultura de urina e pesquisa para dengue. Depois, foi liberada após informar que o bebê estava se movimentando normalmente. A mãe contou que a filha continuou passando mal e voltou à Santa Casa na terça-feira (11). Segundo o registro policial, exames apontaram uma redução significativa no número de plaquetas, e a internação foi recomendada. Nayara teria pedido para ir para casa e foi liberada com a orientação de retornar ao hospital. Mais tarde, por volta das 20h43, ela voltou ao hospital acompanhada da mãe e foi internada. Cleusa afirmou que, durante a noite, a filha continuou sentindo fortes dores e chegou a pedir uma cesárea e um ultrassom. Segundo ela, os pedidos não foram atendidos. A versão apresentada pela equipe médica e registrada pela Polícia Militar apontou que Nayara passou por procedimentos durante a internação. Uma cardiotocografia realizada às 22h teria mostrado que os batimentos cardíacos do bebê estavam normais. 🔎 Cardiotocografia (CTG) é um exame médico não invasivo que registra, ao mesmo tempo, os batimentos cardíacos do feto, os movimentos do bebê e as contrações do útero. Cleusa afirmou ainda que a filha começou a vomitar depois de receber um medicamento por via oral. Segundo ela, Nayara também reclamava de fraqueza e havia relatado dor no peito. Ainda segundo o registro da ocorrência, durante a madrugada Nayara manifestou vontade de deixar o hospital, e a mãe solicitou a documentação para a alta. Cleusa contou que a filha pediu para ser levada para casa. “Ela me pediu, pelo amor de Deus, que realizasse um último pedido: que eu levasse ela para morrer em casa”, contou. Últimos momentos da gestante naiara patrocínio grávida morre santa casa Reprodução/Redes Sociais Segundo a mãe, ela pegou Nayara e foi para o corredor, mas uma enfermeira levou a jovem novamente para o quarto. Por volta das 4h30, conforme o registro policial, Nayara sentiu uma forte dor abdominal enquanto caminhava pelo corredor e caiu. Ela foi colocada em uma cadeira de rodas e levada de volta ao quarto. Segundo a médica responsável técnica da Santa Casa, citada no registro policial, a plantonista não pôde atender Nayara naquele momento porque realizava um parto de emergência. Os nomes das médicas não foram divulgados. Cleusa afirmou que, quando voltou ao quarto, encontrou a filha sem reação. “Quando eu cheguei lá, eu segurei minha filha e ela ficou rígida, com a boca roxa. Ela estava morta”, afirmou. Ainda conforme o boletim, por volta das 5h, Nayara expeliu muco pela boca e, em seguida, teve uma parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou manobras de reanimação por cerca de uma hora, mas ela não resistiu. “Eles tentaram reanimá-la, mas não foi possível. Eu implorei para que eles salvassem a minha filha”, disse Cleusa. LEIA TAMBÉM: Quem é quem no esquema de família investigada por tráfico e lavagem de dinheiro Vizinho estranha portão aberto e luzes acesas, e PM encontra 110 barras de maconha PF cumpre mandados contra suspeitos de traficar 3 toneladas de cocaína Família questiona atendimento A mãe afirmou que não consegue aceitar a forma como a filha morreu e questionou se todos os procedimentos necessários foram realizados. “Eu poderia até estar conformada se tivessem feito tudo o que podiam. Mas não foi isso que aconteceu. Na minha visão, eles trataram minha filha de qualquer jeito”, afirmou. Nayara estava grávida de oito meses e, segundo Cleusa, tinha planos de construir a própria família. “Ela tinha muitos sonhos. Estava começando a construir a própria família. Não era para terminar assim. Eu perdi uma batalha, mas não perdi a guerra. A Nayara vai ser lembrada. Ela morreu nos meus braços. Se eu tivesse conhecimento suficiente, talvez eu pudesse ter salvado minha filha”, declarou. O que disse a Santa Casa de Patrocínio "O Hospital Santa Casa de Patrocínio informa que está realizando uma apuração interna criteriosa sobre o caso, envolvendo as áreas responsáveis, com o objetivo de esclarecer todos os fatos e circunstâncias relacionados ao atendimento. Até a conclusão dessa investigação, a instituição não irá se pronunciar publicamente sobre o caso, a fim de preservar a seriedade do processo de apuração, bem como a privacidade, a dignidade e o sigilo das informações da paciente e de seus familiares. Após a conclusão da análise, a instituição avaliará, dentro dos limites legais e éticos aplicáveis, a possibilidade de prestar os esclarecimentos pertinentes. O Hospital reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade e a segurança na assistência prestada aos seus pacientes." O que disse a Prefeitura "A Prefeitura de Patrocínio, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está acompanhando o caso e prestando todo o suporte necessário dentro de suas atribuições. É importante esclarecer que a Santa Casa possui gestão própria e independente, não sendo administrada pela Prefeitura. A instituição é porta aberta para atendimentos de urgência e emergência às gestantes, sem necessidade de encaminhamento pela UPA. A paciente realizava acompanhamento pela rede municipal de saúde e, diante do ocorrido, estão sendo adotadas as medidas necessárias para a apuração do caso. A própria Santa Casa já solicitou os exames e procedimentos necessários para investigação das possíveis causas, com o suporte da rede pública de saúde. A Prefeitura de Patrocínio se solidariza com a família e os amigos neste momento de profunda dor, manifestando suas mais sinceras condolências e desejando força e conforto a todos." VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/08/19/veja-cronologia-do-atendimento-medico-de-gravida-que-morreu-pedindo-para-fazer-cesarea-em-mg.ghtml


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