Justiça de MG condena 19 réus por 'golpe do falso leilão' que movimentou R$ 520 milhões em três estados

  • 09/08/2026
(Foto: Reprodução)
Fórum Francisco Batista Queiroz em Frutal, no Triângulo Mineiro Roberto Leal/Reprodução Em Frutal, no Triângulo Mineiro, 19 réus foram condenados por participação em esquema de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro conhecido como “golpe do falso leilão”. Conforme a decisão da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Frutal, publicada em portal eletrônico nesta sexta-feira (7), as penas variam de 6 a 14 anos e meio de prisão em regime fechado. A Justiça também determinou que os bens e valores apreendidos bloqueados nas contas dos condenados sejam usados para ressarcir diretamente as vítimas do golpe. O esquema movimentou R$ 520 milhões em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, usando empresas de fachada e atingindo vítimas em todo o país. Segundo uma estimativa da Polícia Civil, que investigou o esquema por três anos, apenas em 2025 mais de 250 pessoas foram enganadas pelo golpe em diferentes regiões do Brasil. ➡️ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no Instagram A organização criminosa foi desarticulada em diferentes fases de operações chamadas de “Martelo Virtual”. A 3ª fase prendeu quatro investigados durante o cumprimento de mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, ainda em março deste ano. De acordo com a condenação, a atuação dos réus estava organizada em três núcleos: financeiro, operacional e de lavagem de capitais. Entenda mais abaixo como o esquema funcionava. Estrutura organizada e ‘pulverização’ do dinheiro A Polícia Civil apurou que o grupo atuava com divisão de tarefas bem definidas: responsáveis pela criação e operação dos sites de falsos leilões; investigados usados como “laranjas” para receber os valores dos golpes, cientes da origem ilícita do dinheiro; integrantes que realizavam saques em agências bancárias ou transferências para outras contas ligadas à organização, com o objetivo de fracionar os valores. Esse processo de movimentação do dinheiro, chamado internamente de “pulada”, consistia no repasse sucessivo dos valores para dificultar o rastreamento; na etapa seguinte, as cifras eram direcionados a um grupo familiar de São Paulo, apontado como responsável pela “pulverização” dos recursos em diversas contas; por fim, os chamados “lavadores finais”, que mantinham em seus nomes bens incompatíveis com a renda declarada, como imóveis, veículos e até motos aquáticas. Juiz destaca atuação em golpe do falso leilão A denúncia do Ministério Público, apresentada em junho de 2025, apontou que, entre 2021 e 2025, os acusados financiaram e organizaram uma quadrilha especializada. Os sites desenvolvidos e operados pela organização criminosa tinham aparência semelhante a de páginas de leilões legítimos. Para atrair as vítimas, os investigados usavam ferramentas de impulsionamento em plataformas digitais, direcionando os usuários para endereços eletrônicos fraudulentos. Após o suposto arremate dos veículos anunciados nessas plataformas, as vítimas eram direcionadas para conversas pelo WhatsApp, sob o pretexto de concluir a negociação. Nesse momento, os investigados solicitavam transferências via Pix para contas de pessoas usadas como “laranjas” pelo grupo. Em alguns casos, o prejuízo individual chega a R$ 200 mil — inclusive há registros de vítimas que acreditaram ter arrematado mais de um veículo. Na sentença, o juiz Robson Monteiro Rocha ainda destacou o modo de atuação do grupo na fase de integração e reciclagem do dinheiro ilícito, revelado pelas investigações da Polícia Civil. Para inserir os valores milionários na economia formal sem levantar suspeitas para atividade criminosa, os sócios de uma suposta transportadora compravam veículos antigos colecionáveis, especialmente Kombis da Volkswagen fabricadas a partir de 1963. Além das reformas e revendas superfaturadas desses automóveis, o esquema incluía a administração oculta de boxes comerciais em shoppings populares de São Paulo e a venda em massa de frotas de veículos. “O sistema de lavagem funcionava sob a metodologia que eles chamavam de ‘reformas de comboios inflados’: os acusados faziam reformas estéticas nos veículos, alteravam documentos e chassis, simulavam contratos de revenda interestadual e revendiam por preços superfaturados, criando uma aparência de legalidade para o dinheiro obtido nos estelionatos eletrônicos. O sistema Infoseg apontou que o grupo movimentou ao menos 32 automóveis nessa modalidade, avaliados em R$ 2,6 milhões”, registrou o magistrado. Na decisão, o magistrado destacou que a prioridade é devolver o dinheiro a quem sofreu prejuízo. Só depois disso, caso haja saldo restante, os valores serão destinados ao Estado de Minas Gerais. O g1 ainda questionou o Ministério Público sobre a idade dos réus, se eles estão entre os presos na terceira fase da operação e se são da região de Frutal. Até a última atualização, não houve retorno. LEIA MAIS: Suspeitos de movimentar R$ 1 milhão com 'golpe do leilão' são presos Quadrilha que aplicou golpes em sites de leilões falsos é alvo de novos mandados no país Você viu? Diarista presa por furto, ex-gerente condenado a ressarcir R$ 8,6 milhões e aposta leva R$ 230 mil na Mega Polícia Civil deflagra nova fase da Operação Martelo Virtual VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/08/09/justica-de-mg-condena-19-reus-por-golpe-do-falso-leilao-que-movimentou-r-520-milhoes-em-tres-estados.ghtml


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