Jovem vende sucos de roupa social em semáforo para realizar sonho de abrir lanchonete com a tia em Uberlândia

  • 20/08/2026
(Foto: Reprodução)
Jovem vende sucos no semáforo para realizar sonho de abrir lanchonete Aos 18 anos, Luiz Henrique Câmara dos Santos já sabe onde quer chegar: abrir o próprio negócio ao lado da tia, Ana Carla Câmara, que o criou. Para isso, acorda cedo, espreme dezenas de laranjas, coloca os sucos em uma caixa térmica e segue, de camisa e gravata-borboleta, para um semáforo da Avenida Rondon Pacheco, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Foi nesse ponto que Luiz ganhou o apelido que se espalhou pelas ruas e pelas redes sociais: “Garçom da Rondon”. Ele chama a atenção de quem passa pelo cruzamento da Rondon Pacheco com a Rua General Osório e a Avenida Francisco Galassi, próximo ao Centro de Tecelagem. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp O visual elegante em meio ao movimento dos carros foi registrado em uma foto que viralizou e despertou a curiosidade dos moradores, que quiseram saber quem era o jovem por trás da iniciativa. A resposta é simples: Luiz trabalha para transformar um sonho antigo em realidade. “Eu e minha tia tivemos a ideia de abrir nosso próprio negócio. A gente não tinha de onde tirar dinheiro, nem fundos. Aí eu e meu tio tivemos a ideia de vender suco no sinal”, disse Luiz. A ideia de usar roupa social veio do tio, Tiago Lima, que já havia trabalhado vendendo sucos no semáforo. A intenção era se apresentar de forma diferente. Luiz Henrique vende sucos para abrir o próprio negócio Reprodução/Redes Sociais 70 sucos por dia A rotina começa cedo. Entre 7h e 8h, Luiz, a tia e o tio já estão trabalhando na produção dos sucos. As laranjas são compradas e levadas para casa, onde Luiz e Ana Carla lavam, cortam e espremem as frutas. Depois, o suco é colocado nas garrafinhas e levado para uma caixa térmica cheia de gelo. Por volta das 11h30 ou do meio-dia, Luiz e o tio chegam ao semáforo. As vendas seguem, geralmente, até as 18h ou até o estoque acabar. Segundo Luiz, são necessários dois ou três sacos de laranja para um dia de trabalho. A quantidade é suficiente para produzir cerca de 70 garrafinhas, vendidas a R$ 10 cada. A água também faz parte das vendas, mas o suco é o carro-chefe. Quando volta para casa, Luiz ainda ajuda a tia com os pedidos da lanchonete. É uma rotina puxada. Mas, para Luiz, há uma motivação maior por trás de tudo. “É o cansaço mesmo. Mas toda vez que começo a me sentir cansado, paro, oro um pouco para Deus e peço para me dar força. Porque sem Ele a gente não é nada”, afirmou. Família acorda 7h para produzir sucos que são vendidos no mesmo dia Reprodução/Redes Sociais Sonho antigo A lanchonete que Luiz e a tia Ana Carla sonham em abrir não é um projeto recente. Os dois já tentaram colocar o negócio em prática outras vezes. A primeira tentativa foi em 2023. Desde então, segundo Luiz, eles abriram a lanchonete três vezes, mas problemas financeiros fizeram com que os planos fossem interrompidos. Agora, porém, a estratégia é diferente: juntar dinheiro aos poucos e trabalhar onde for possível. “Já tem muito tempo. Eu e minha tia já tentamos abrir umas três vezes um lanchinho, só que a gente nunca conseguiu. Sempre aconteceu algum erro econômico”, explicou. A relação entre os dois também ajuda a explicar por que o sonho é tão importante para Luiz. Ele cresceu ao lado da tia e da avó. Foi Ana Carla quem participou diretamente de sua criação e educação. Atualmente, os dois moram novamente juntos, ao lado do tio e do primo. “Eu cresci com ela e com a minha avó. As duas me educaram. Sempre fui mais ligado à minha tia”, afirmou. De aprendiz a dono do próprio sonho O gosto pelo comércio também não é novidade para Luiz. Antes de vender sucos na rua, ele trabalhou na lanchonete do avô, conhecido em Uberlândia como Paulão, do “Hot Dog do Paulão”. Foi no estabelecimento que ganhou experiência e percebeu que queria seguir pelo caminho do empreendedorismo. Depois de deixar o trabalho com o avô, decidiu apostar no projeto ao lado da tia. Além dos sucos vendidos no semáforo, Luiz e Ana Carla mantêm uma pequena lanchonete por delivery. O negócio, chamado Hot Braza, vende cachorro-quente prensado, sanduíches artesanais e opções tradicionais. Os dois chegaram a alugar um cômodo que pretendem reformar para transformar em uma lanchonete. Enquanto o sonho não se torna realidade, porém, os pedidos são feitos apenas por delivery. LEIA TAMBÉM: Quem é a influenciadora com sotaque mineiro que tem mais de 100 milhões de visualizações em receitas do 'tempo da vovó' Veja sabores inusitados de pizzas com pequi, pudim e picanha Conheça a confeiteira que conquistou artistas com receitas caseiras ‘Há jovens correndo atrás’ A repercussão da foto nas redes sociais trouxe algo que Luiz não esperava: milhares de pessoas torcendo por ele. Comentários de apoio e elogios ao trabalho fizeram Luiz perceber que sua história havia ultrapassado os limites do semáforo. “É muito bom ver que tem muita pessoa que apoia. Quando eu paro para olhar os comentários, isso me dá um ânimo muito forte”, disse. Para Luiz, mais do que vender sucos, estar ali também é uma forma de mostrar que há jovens dispostos a trabalhar para mudar a própria realidade. “Dá para ver que as pessoas ficam admiradas, ficam felizes em ver que nem tudo está perdido, que ainda há muitos jovens correndo atrás”, finalizou. Luiz e o tio Tiago Reprodução/Redes Sociais VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/08/20/jovem-vende-sucos-de-roupa-social-em-semaforo-para-realizar-sonho-de-abrir-lanchonete-com-a-tia-em-uberlandia.ghtml


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