Jovem morta por pecuarista em SP tentava terminar relação e relatou agressões, segundo testemunhas
29/10/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito de matar mulher já foi preso e condenado por descumprir medida protetiva de ex
A empresária Priscila Lacerda Custodio, que foi morta por um homem 38 anos mais velho, relatou ter sofrido agressões e ameaças quatro dias antes do crime. A jovem de 24 anos, natural de Perdizes, no Alto Paranaíba, foi baleada pelo pecuarista João Roberto Bolelli, de 62, em Rifaina (SP), na noite de terça-feira (27).
Priscila viajou cerca 117 km de Perdizes até a cidade paulista a fim de devolver uma caminhonete do homem, que estava com ela. Ela foi acompanhada pelo irmão e por uma amiga, pois estava apreensiva e havia relatado agressões e ameaças.
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Segundo a Polícia Militar (PM), ela encontrou o pecuarista às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), próximo a uma propriedade rural. No local, houve uma discussão entre os dois envolvendo um celular que ele teria dado a ela.
O irmão da vítima contou à polícia que a jovem disse que queria ir embora e não desejava continuar o relacionamento. Durante o desentendimento, Bolelli sacou uma arma e atirou contra Priscila.
Ele fugiu após o crime e é investigado por feminicídio. A Justiça de Pedregulho (SP) decretou a prisão preventiva de Bolelli na quarta-feira (28). Até a última atualização desta reportagem, o pecuarista não havia sido localizado e era considerado foragido pelas autoridades.
Priscila foi velada e sepultada em Perdizes, na quarta-feira (28).
Agressão e ameaça dias antes
Em depoimento à polícia, a amiga de Priscila que a acompanhou até Rifaina (SP) contou que a jovem mantinha um relacionamento casual com Bolelli desde julho deste ano.
Segundo a testemunha, Priscila relatou ter sido agredida pelo pecuarista na sexta-feira (23), quatro dias antes do crime. A amiga afirmou que viu as lesões apresentadas pela jovem.
Priscila também teria contado à amiga que Bolelli havia ameaçado dar um tiro na cabeça dela e contratado pessoas para monitorá-la. O pecuarista, ainda segundo o relato, acreditava que a jovem estivesse envolvida com outro homem e dizia que não permitiria que ela retornasse a Perdizes.
A amiga também disse à polícia que, diante das ameaças, orientou Priscila a não ir sozinha a Rifaina e, por isso, ela e o irmão da vítima decidiram acompanhá-la na devolução da caminhonete.
O irmão contou à polícia que recebeu uma ligação da jovem pedindo companhia para a viagem. Durante a conversa, percebeu que Priscila estava apreensiva e teve a impressão de que ela poderia estar sendo intimidada ou ameaçada.
Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli, segundo o boletim de ocorrência
Arquivo pessoal
Quem era a empresária mineira
Priscila Lacerda era empresária da área de marketing digital e também trabalhava como videomaker. Nas redes sociais, a jovem compartilhava os diversos trabalhos que fazia com lojas, casamentos e clientes.
"A Priscila era uma pessoa maravilhosa, cheia de sonhos e projetos. Cheia de vida! Uma vida que foi ceifada por um homem malvado", contou ao g1 uma das amigas e clientes da empresária, a psicóloga Fabyana Oliveira.
A psicóloga também contou que Priscila era "muito trabalhadora" e que ela amava o que fazia.
Outra amiga da empresária, Juliana Amaral, também contou ao g1 que Priscila era uma pessoa muito alegre. As duas trabalhavam juntas na loja de moda de Juliana e eram amigas próximas há três anos.
"[Priscila] era linda, encantadora, educada ao extremo! Em três anos de amizade, nunca vi ela falar mal de ninguém", disse a amiga em entrevista.
Segundo Juliana, Priscila tinha muitos sonhos e planejava comprar um apartamento. Ela estava estudando marketing digital e fotografia.
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O g1 também entrou em contato com o irmão dela, que presenciou o crime. Ele disse que a família está muito abalada e que ainda não conseguem falar sobre o ocorrido.
Priscila foi velada na tarde de quarta-feira (28) no Velório Municipal de Perdizes. O sepultamento ocorreu horas depois no Cemitério de Perdizes.
À esquerda, Priscila ao lado de Fabyana; à direita, a empresária com a amiga Juliana
Arquivo pessoal
Como aconteceu o crime
Priscila e o irmão saíram de Perdizes na caminhonete que seria devolvida, enquanto a amiga os acompanhava em outro carro. Como a amiga não sabia chegar à propriedade rural, Priscila deixou a caminhonete e entrou no veículo da amiga para indicar o caminho. O irmão continuou dirigindo a caminhonete.
Quando os três chegaram na entrada da propriedade, João Roberto Bolelli apareceu em um carro branco. Segundo os depoimentos das duas testemunhas, outras pessoas chegaram em veículos diferentes, mas não foram identificadas.
O irmão relatou que ouviu Priscila dizer que queria ir embora e que não desejava mais manter o relacionamento.
Caminhonete que Priscila foi a Rifaina devolver ao suspeito. Segundo o boletim, Bolelli fugiu no veículo após o crime
Câmera de segurança
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, Bolelli exigiu que a jovem devolvesse um celular que havia entregado a ela e ela respondeu que só entregaria o aparelho depois de receber de volta o próprio telefone.
A amiga disse que o pecuarista também questionou uma viagem de Priscila a Sacramento (MG) e a acusou de estar se encontrando com outro homem.
Durante a discussão, ainda segundo as testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou contra Priscila. Em seguida, teria apontado a arma para o irmão dela, que correu para se proteger.
O irmão socorreu Priscila e a levou ao hospital de Rifaina, mas ela morreu.
Ao g1 Ribeirão e Franca, a defesa de João disse que analisa o caso e ainda não teve contato com ele. Até a última atualização desta reportagem, não havia informação sobre mandado de prisão contra Bolelli.
Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro pelo companheiro, João Roberto Bolelli
Arquivo pessoal
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